As ninfetas de Balthus

 

 

“O que pinto são anjos. Todas as minhas figuras femininas são anjos, aparições. As pessoas vêem-nas como eróticas, o que é perfeitamente absurdo. A minha pintura é essencial e profundamente religiosa” – as palavras de Balthus, ditas a Balthazar Klossowski, sobre as ninfetas que compõem o tema mais célebre e misterioso da sua obra.
Anjos estas jovens que expõem os corpos nus ou semi-vestidos com uma inocência equívoca?

Religiosas estas pinturas que as representam em poses que vão do abandono lânguido ao arrebatamento sensual?

Disse Balthus: “o tema da adolescente lânguida nada tem a ver com uma obsessão sexual, a não ser talvez no olhar do observador. Eu vejo as adolescentes como um símbolo. Nunca serei capaz de pintar uma mulher. A beleza da adolescência é mais interessante. A adolescência encarna o futuro, o ser antes de transformar-se em beleza perfeita. Uma mulher encontrou já o seu lugar no mundo, uma adolescente, não. O corpo de uma mulher já está completo. O mistério desapareceu.”

A natureza incompleta, indefinida, inquieta, das ninfetas era pois aquilo que nelas o seduzia. E também a sua beleza, em que via refletida a beleza do divino, que celebrava, dizia, pintando como quem rezava. E havia ainda a nostalgia da infância que elas supostamente lhe despertavam.

A obra mais polêmica de Balthus “ A Lição de Guitarra” foi apresentada em 1934 numa exposição da Galeria Pierre Loeb em Paris, mas numa sala à parte, um pouco afastada do percurso da galeria. Só reapareceu em público em 1977 na Galeria Pierre Matisse em Nova Iorque. Em 1984, meio século depois de ter sido exposta pela primeira vez, a obra foi proibida de fazer parte da restrospectiva de Balthus no Centre Georges Pompidou e no Museum of Modern Art de Nova Iorque. O organizador da exposição explicou no catálogo a ausência da Lição de Guitarra por motivos que não partilhava inteiramente mas que mostravam até que ponto, cinquenta anos depois de ser pintada, a obra ainda incomodava e perturbava.

 

Quem foi Balthus
O conde Baltasar Michel Klossoviski de Rola, conhecido como Balthus, filho de um historiador de arte e de uma pintora, nasceu em Paris a 29 de Fevereiro de 1908 e morreu em 2001. Casou duas vezes e teve três filhos. Em 1961 André Malraux , ministro da cultura no Governo do General de Gaulle, nomeou Balthus para director da Academia de França em Roma. Apresentado por Jacques Chirac, Balthus recebeu em 1991 o Praemium Imperial atribuído pela Japan Art Association e em 1998 é nomeado Doutor Honoris Causa pelo Universidade de Vroclac

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