Dois mundos

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Por Giuliana Mesquita

 

Moda e arte sempre andaram de mãos dadas. Quando falamos de Hugo Frasa, paulista de 37 anos, é difícil distinguir as diferenças entre as duas áreas na sua vida e no seu trabalho. Formado pela FAAP em Artes Plásticas, após um curto período cursando Desenho Industrial, viu na moda a forma de unir toda a sua multidisciplinaridade. Começou sua história no ramo fashion trabalhando na Mint, primeira agência de comunicação focada em moda no Brasil, onde aprendeu de tudo um pouco. Lá, desenhava convites, fazia estampas, paginava matérias, filmava e editava vídeos e criava trilhas para desfiles e fashion films.

Assim começou uma história que unia todos os seus tipos de trabalho, mesclando, com excelência e consistência, as frentes de arte nas quais se especializou. A arte não se separa da moda em sua vida pois há mais de quinze anos trabalha com marcas como Animale, Huis Clos, Maria Garcia, Lilly Sarti e Giulianna Romano. Há dois, em meados de 2014, decidiu dar um tempo do mundo fashion e se focar totalmente em sua arte. “Só vou ligar meu nome à marcas que eu gosto e que me dão liberdade”, conta em seu estúdio, na Consolação, em São Paulo. Foi o que aconteceu ao trabalhar ao lado de Renato e Vivi Rivaben, amigos de longa data do artista, para quem criou seis estampas geométricas para a coleção de verão 2017 da Ratier, desfilada no São Paulo Fashion Week. Por estar tão inserido neste universo, Hugo conhece bem (e de perto) a moda brasileira. Sua maior crítica? As cópias. “A maioria dos estilistas brasileiros tem medo de ousar, sempre usa a mesma fórmula e não consegue sair do óbvio”, comenta.

A geometria, aliás, é um dos pontos que une os trabalhos de Hugo ao longo de sua carreira. Desde pequeno, quando desenhava, encaixava linhas e formas em suas criações. “É uma questão de querer organizar meu mundo através da geometria”, pontua. Hoje se inspira em artistas do concretismo nacional e do minimalismo americano para criar uma estética pessoal e intransferível. “Mesmo antes de estudar arte, isso sempre esteve comigo”, explica. Além das fontes de referências mais óbvias, Hugo gosta de buscar inspiração em todo o lugar — até naquilo que realmente não o interessa. “As influências estão em todos os lados, desde o meu vizinho até um estilo de arte que eu não gosto, mas que tem carga emocional para mim”.

Representado pela Galeria Emma Thomas, Hugo Frasa fez sua primeira exposição solo no fim de 2014. Ano passado, em parceria com Julia Morelli, da Galeria 55SP, criou uma série de 30 gravuras, com intervenções diferentes que tornavam cada peça única.

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