Entrevista André Carvalhal (Diretor de Marketing da FARM)

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OK: Você é gerente de Marketing e Conteúdo da FARM, marca que investe bastante em comunicação e relacionamento com o cliente. Quais são suas principais atividades na empresa?

A: Meu dia a dia se divide entre dois grandes opostos, entre um trabalho mais criativo, pensando conteúdos, eventos, conceitos de comunicação e uma parte mais hard, analisando vendas, CRM, desempenho dos canais digitais…

OK: Com acesso a tantas marcas, contar uma boa história para o consumidor é um diferencial?

A: Hoje em dia acredito que nem seja mais diferencial é obrigatório. As pessoas querem saber o que existe por trás das marcas, o quem fazem, como fazem, quem faz… A internet aproximou todo mundo, o mesmo precisa acontecer entre pessoas e marcas.

OK: Quais são as principais características que um comunicador de moda deve ter?

A: Num sentido mais amplo, acho que precisa ser alguém apaixonado por pessoas. Entender se um post funciona, se uma coleção vai agradar, qual produto as pessoas vão querer, tem a ver com entender (e gostar de entender) pessoas. De forma prática é preciso estudar, pesquisar, se aprofundar. O mercado está exigente e não há mais espaço para amadores.

OK: O instagram e a moda parecem ter sido feitos um para o outro, o que mudou para as marcas?

A: Hoje a comunicação é mais rápida, direta, e a resposta do público vem com tudo também. Todas as ações precisam ser pensadas considerando a disseminação nas redes sociais. Num desfile, por exemplo, antes da última modelo deixar a passarela, todos os presentes – que vão bem além dos editores de moda – já disseminaram imagens da coleção.

OK: Qual erro mais comum que você acredita que as marcas estão cometendo na comunicação com o consumidor?

A: Algumas não percebem que o consumidor virou “telespectador”. Eles estão vendo e entendendo tudo o que as marcas fazem. Não adianta mais querer enganar, esconder, copiar… Há uma nova geração que está no mercado, com mais informação e mais critério para se relacionar com as marcas.

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OK: Sobre seu livro A moda imita a vida: você compara a trajetória de uma marca com a vida das pessoas, em que há evolução, crescimento, aprendizado, erros e aperfeiçoamento. Será esse o grande diferencial em relação aos outros livros que abordam esse tema? Pois após seis meses do lançamento da primeira edição, será lançada a terceira impressão do seu livro.

A: Creio que o fato de aproximar uma marca à vida das pessoas facilita o entendimento sobre o processo de construção no livro eu aproximo as marcas à vida dos seus criadores, mostrando a relação com suas historias, infâncias, sonhos… E isso faz com que o livro fique mais leve e interessante também (é o que as pessoas dizem heheeh).

OK: Sobre branding, quem você acha que está mandando bem no Brasil? Tirando a FARM, é óbvio…

A: Acho que as marcas mais novas já estão vindo com esse pensamento, e essa consciência maior de construção de marca. As marcas mais antigas parecem estar viciadas em toda um questão comercial e as que foram grandes um dia, parecem que estão andando pra trás… Das marcas novas gosto muito da “cotton project”, que consegue traduzir muito bem o “beachwear urbano”, como dizem.

OK: No seu dia a dia de trabalho, quais são os maiores desafios que você enfrenta?

A: O equilíbrio entre o comercial e o conceitual. Muitas vezes as crises, dificuldades financeiras ou mesmo a necessidade de vender para “fechar a conta”, acabam impactando na verba ou no desempenho das ações de marketing.

OK: E o que você acredita que sejam as maiores potencialidades e as maiores dificuldades da moda nacional?

A: Apesar de toda dificuldade, a moda é a segunda indústria que mais emprega no Brasil, e no mundo, foi aqui que ela mais cresceu nos últimos anos. Quando olho para o mercado, vejo que esse “sucesso” está concentrado em poucas grandes marcas, nas que mais investem em marketing e criação de significado. É fato que vivemos uma dicotomia grande, temos um número imenso de escolas e cursos de moda (um dos maiores do mundo) mas vivemos um período difícil na cadeia produtiva. Acho que é aí que precisamos evoluir. Precisamos de ajuda e incentivo. Como força, destacaria as marcas que são bem autorais e realizam trabalhos exemplares, deixando qualquer gringo de queixo caído.
 
OK: Hoje a FARM é um dos maiores cases de sucesso do mercado brasileiro. A que você atribui esse sucesso?

A: São muitos os fatores. Muitas pessoas e muito trabalho envolvido. Mas acho que grande parte do sucesso se dá pela verdade com que o negócio foi construído. Desde o inicio a verdade da Kátia e o Marcello, os sócios fundadores, direcionaram a autenticidade presente na marca. 

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