Entrevista com Jorge Grimberg

OK_JORGE_GRIMBERG_MG_1750_byCADDAH

 

OK: Como começou a sua relação com o mundo da moda?

J: Meu pai tinha uma fábrica de jeans no Brás, que produzia para várias marcas e eu cresci no meio da moda. Mas meu verdadeiro aprendizado foi na casa de Tufi Duek. Fui e sou até hoje melhor amigo da sua filha e cresci no universo dele. Foi uma escola.

OK: Quem foram os seus mentores e influências pessoais importantes?

J: Tive muita gente importante. A Nidia Duek sempre me incentinou muito e me deu oportunidades. Mas minha grande mentora foi a Andrea Bisker, CEO do WGSN. Ela me deu espaço para trabalhar e acreditou em mim. Nos últimos anos, Isham Sardouk mudou minha visão da moda, mas além deles tenho muito suporte de pessoas que admiro muito como Alice Ferraz e Costanza Pascolato.

OK: Como você descreve seu trabalho?

J: Eu sou um grande apaixonado por moda. Tudo relacionado ao universo me interessa e viajei o mundo nesse universo. Eu trabalhei 10 anos com pesquisa de tendências. Nunca fui um Cool Hunter, e sim um Trend Forecaster, me tornei um especialista em tendências de moda e comportamento. Eu tenho um dom de antecipar os acontecimentos do mercado e estou aprendendo a lidar com isso. Agora com a minha empresa de consultoria, estou criando conteúdo para diferentes marcas e publicações. Eu sou um pensador de moda, analista de tendências, escritor, empresário e relações públicas. Minha formação é em administração de empresas.

OK: Você trabalhou em dois grandes bureaus de tendências o WGSN e Stylesight, agora abriu uma empresa própria. Qual o foco da Grimberg Creative Studio?

J: A Grimberg é um sonho que ainda está em formação e adaptação. O mercado me conhece e me lança desafios. A Grimberg desenvolve projetos de inovação na moda, que podem ser um blog, um canal de youtube, um portal de moda ou até logos e catálogos. Mas o que eu mais amo fazer mesmo é pesquisa de tendências.

test

OK: O que você pode oferecer de novo? É mais focado e personalizado?

J: Posso oferecer um trabalho personalizado de pesquisa de tendências, estratégia e branding focado no universo da marca. Como criador de conteúdo, posso criar e aplicar uma voz para diferentes marcas na Internet. Como relações públicas, posso conectar pessoas e marcas, ou imprensa e marcas de uma maneira singular.

OK: Qual sua opinião sobre a comunicação e conteúdo que as marcas têm buscado gerar aqui no Brasil? Seja através de um blog, um canal de vídeos no Youtube ou Instagram?

J: No momento eu estou em choque com a quantidade e variedade de informação sendo produzida. É impossível acompanhar tudo e tudo perde o valor muito rapidamente. É uma corrida pela popularidade e por likes. Tudo é muito novo e espontâneo. O Instagram não tem limites, cresce num ritmo assustador. Algumas marcas/pessoas conseguiram usá-lo de maneira muito orgânica, outras estão terceirizando e outras estão perdendo tempo! Rs…Isso mudou o mercado completamente. Acho que as marcas devem parar, pesquisar, criar uma identidade como comunicadora, os canais de atuação e ir em frente. Hoje uma marca de moda não faz somente roupas, ela conversa todos os dias com o seu consumidor.

OK: Em 2014 vejo um movimento acontecendo no Brasil com dez anos de atraso em relação ao mercado internacional, que são as revistas independentes que tem surgido, hoje temos revistas como Trailer, U Mag, Bless, +55 Mag, What About entre outras que tem surgido. Você acredita que as marcas estão prontas para entender a comunicação dessas revistas e o target que elas se comunicam?

J: Tenho alguns amigos que fazem revistas independentes. Eu acho uma expressão artística maravilhosa, mas o mercado brasileiro de moda (em geral) não está pronto para investir. Ainda não vêem o retorno. Isso é muito relativo e, sim, atrasado. Um case muito interessante é a (revista) Made In Brazil, do Juliano Corbetta. Uma revista com um trabalho artístico fantástico, focada no público gay. Poucas marcas no Brasil ainda não tomam partido e não querem ser taxadas de gay, puro medo e preconceito. O Brasil, nesse sentido, é muito atrasado, porque os gays consomem muita moda e são muito carentes por atenção e inclusão social. O Juliano voltou pra Nova York e hoje marcas como Givenchy, cientes do seu público alvo, investem e celebram a publicação Made in Brazil, que lança modelos e fotógrafos brasileiros para o mundo.

OK: Quais são os novos nomes do mercado que devemos prestar atenção?

J: Eu citaria Trendt, Cotton Project, Têca, Giuliana Romanno, Vitorino Campos, Piscina, Foxton, Egrey, Apartamento 03, Piet 73, entre outra. O Cartel 011, que eu fui sócio, tem uma curadoria sensacional de novos estilistas.

OK_JORGE_GRIMBERG_MG_1708_byCADDAH

OK: Você colabora para Style, O Estado de S. Paulo e vez ou outra tem algum texto seu no FFW. Escrever é uma paixão?

J: Escrever é uma extensão de quem eu sou. Eu tenho muitas ideias. Quem me conhece bem, sabe que eu falo muito! Escrever foi uma maneira que eu encontrei de por pra fora essas ideias e dar vida a um lado meu que eu não expressava. É sim uma paixão. Tenho muita vontade de expandir e escrever livros no futuro.

OK: Quais são seus projetos para o futuro? Li que tem um projeto de portal internacional com foco no Brasil, ele será sincronizado com seus outros projetos?

J: Esse projeto ficou para o ano que vem. Eu morei em Nova York durante grande parte de 2014 e estou de volta definitivamente a São Paulo. É um momento agora de fortalecer alianças, de ter um pouco de estabilidade por aqui. Com a velocidade que as coisas estão na Internet, sinto melhor observar mais antes de lançar (mais um) portal novo sem que eu entenda exatamente para que ele serve.

OK: Você viaja bastante, qual a viagem recente que você fez que te marcou? Por quê?

J: Esse ano tive a sorte de viajar para todos os continentes. Fiquei encantado com o Cambodia e a simplicidade das pessoas. Estive em Saint Tropez e sou fascinado pela tradição que se repete ano após ano. É um clube fechado, com suas particularidades. Eu adoro diferentes culturas, das mais simples as mais sofisticadas, e ver como elas se desenvolvem. No momento, estou apaixonado por São Paulo. Eu nasci aqui e sempre tive um caso de amor e ódio com a cidade. Depois de rodar o mundo, vejo uma cidade diferente, com tanta diversidade, oportunidade, vida. É o meu mais novo caso de amor.

OK: Fonte de informação, inspiração e comunicação?

J: Eu amo ler, eu leio tudo. Hoje, com as redes sociais está mais difícil concentrar para ler grandes reportagens. Livros e revistas ainda são minha maior fonte de inspiração, pois eles se aprofundam em temas e histórias, passando uma visão mais completa de assuntos. Eu me inspiro com o novo. Hoje e sempre.

 

Posted in Entrevista and tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , .

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *