Multidisciplinar

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Senso estético apurado geralmente é uma qualidade inerente de diretores criativos de grandes marcas. Renato Ratier não é exceção. Nascido em Mato Grosso do Sul, sempre gostou de participar na escolha da decoração da casa e nas roupas de sua mãe. “Gosto de design de carro, moto, bicicleta, roupas, sapatos, móveis, tudo”, conta, sentado em uma das mesas de seu restaurante Bossa, que faz parte do complexo de empreendimentos que criou no coração dos Jardins, em São Paulo. Apesar de sempre ter tido bom gosto e uma inclinação para um trabalho mais criativo, cursou faculdade de zootecnia e de direito, já que sua família trabalhava no agronegócio em Campo Grande.

Ao sentir que nenhuma das duas escolhas eram certas, foi aos Estados Unidos estudar e aprimorar seu inglês. Morou em Los Angeles, onde também estudou Fotografia e Design de Interiores. “Quando morava fora adorava ir às lojas da cidade e observar o styling das vitrines e a decoração dos espaços”, relembra. Quando voltou ao Brasil, em 1995, mais especificamente para Campo Grande, decidiu seguir sua paixão e atuar em áreas mais criativas — mas não só, vale dizer. “Sempre fui uma pessoa que gosta de trabalhar em muitos projetos nos mais diferentes segmentos. Ainda morando no Mato Grosso do Sul, começou a discotecar em festas, além de produzir um fanzine, criar duas marcas de roupas e abrir uma multimarcas, a Subculture.

A Valet, uma de suas etiquetas, nasceu com a cara de Renato. A marca tinha dois lados, um mais tradicional e outro mais transgressor, assim como seu dono. “Acho que transito tão bem em ambientes totalmente diferentes entre si, desde uma festa de playboy até um lugar mais underground”, explica. A Valet era sobre essa diferença entre dois mundos que era a cara de Ratier. Já a Tilt, sua segunda marca, era mais casual, a cara das raves que invadiam o cenário cultural da época: supercolorida, com o predomínio do uso de nylon e estampas. “Quando eu ia às festas em Campo Grande, não tinha uma pessoa que não estava usando alguma peça das minhas marcas.

Além desse lado mais fashion, Renato apresentava um programa de rádio, escrevia um fanzine e criava as festas mais bombadas da cidade. Era uma espécie de agitador cultural: ao criar e definir o mundo em que as pessoas gostariam de estar inseridas, ele causava desejo tanto na sua música quanto na sua moda. Tanto sucesso não passaria despercebido e as grandes cidades do Brasil quanto São Paulo e Rio de Janeiro o contratavam para tocar.

A grande virada da sua vida aconteceu quando se mudou para São Paulo e fundou a D.Edge em 2000, ainda uma das maiores e mais conhecidas boates da cidade. Abandonou, por ora, a moda para se dedicar exclusivamente à música. Mas a chama de criador de peças desconstruídas nunca abandonou Renato. Assim, em 2014, com a casa já estabelecida e seu restaurante Bossa funcionando à todo vapor, decidiu lançar sua terceira etiqueta, a Ratier. “Decidi que ela deveria ter meu sobrenome já que ela reflete exatamente minha personalidade e o que eu quero usar no momento”. No fim do ano abriu sua primeira loja, ao lado do Bossa, e assim foi criado o espaço cultural que tem tudo a ver com aquele lifestyle que vendia anos atrás, em Campo Grande, e que ainda o seduz.

A marca, que começou prioritariamente masculina, mas já tem um feminino quase tão forte quanto, nasceu para preencher uma lacuna no mercado. O estilo desconstruído, com peças de acabamento puído mas construída com tecidos de luxo, ainda era encontrado quase que exclusivamente no exterior. Não mais. A Ratier começou a explorar um mercado de jovens que gostam de consumir luxo, mas sem ostentar. O estilo, supercaracterístico, é criado e concebido por Renato e produzido apenas no Brasil. O minimalismo tupiniquim em sua melhor forma. Não demorou para que a marca chamasse a atenção de Paulo Borges, idealizador e diretor criativo do São Paulo Fashion Week, que convidou a marca para desfilar na edição de inverno 2016 do evento. O clima industrial, com gelo seco criando um mood misterioso e os modelos andando ritmadamente chamaram a atenção de quem assistiu ao seu primeiro desfile no evento. As roupas, criadas pensando em guerreiros urbanos, ganharam elogios da crítica e fãs que viram em seu estilo uma forma de expressão. “A moda é isso. Eu tinha um problema [não encontrar roupas para o meu estilo no mercado nacional] e o resolvi para todo mundo.”

Para os próximos meses, a Ratier pretende abrir mais algumas lojas ao redor do Brasil e continuar com um trabalho forte em multimarcas. Em Curitiba, um complexo com galeria, restaurante e loja também está sendo estudado para inaugurar no meio do ano. “Também estamos nos estruturando para o mercado internacional”, revela Renato.

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