OK Mag entrevista o Updater Gustavo Giglio

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OK: Conte um pouco da sua trajetória, um pouco da sua história. Quem é o Gustavo Giglio?

G: Empreendedor, publicitário, apaixonado pela profissão, músico, sócio-diretor de marketing, projetos especiais e novos negócios do Update or Die. Passei dez anos como gerente de marketing da Trip Editora, criando e executando projetos muito especiais. Formado em propaganda e marketing no Mackenzie, com pós-graduação em design e comunicação no Senac e com MBA Executivo em Marketing, updater desde 2008 (nome que damos aos colaboradores do site), um dos Embaixadores da marca Irlandesa Guinness no Brasil, fã de música, baixista da banda “Kisser Clan” (projeto solo de Andreas Kisser - guitarrista do Sepultura) e, recentemente, nomeado um dos 50 profissionais mais inovadores do mercado de comunicação do país.

OK: Quando surgiu a ideia de criar uma plataforma como o Update or Die?

G: O Update or Die é uma criação do meu sócio, Wagner Brenner. Um dos poucos, realmente, geniais neste mercado, com posicionamentos muito interessantes sobre o papel da comunicação e a educação informal.

Depois de muitos anos chefiando áreas de criação, percebeu que faltava repertório para os clientes julgarem as campanhas e para as equipes embasarem os caminhos escolhidos.Em uma apresentação trouxe todas as referências utilizadas pela equipe. O envolvimento geral foi especial. Esses encontros se chamavam Update or Die e, de presencial, passou para o digital, que de um blog pessoal virou um site, que virou um veículo, uma produtora de conteúdo customizado, a consultoria criativa e de marketing digital e uma boutique de vários projetos especiais que são assinados com a nossa chancela para marcas que gostamos de trabalhar. Nosso encontro aconteceu depois de meses como leitor e admirador. Fui convidado para escrever no UoD, colocamos de pé alguns projetos juntos e nosso trabalho, amizade, admiração e respeito culminou em um convite para a sociedade. Cheguei há três anos para ajudar o Update or Die a crescer, para montar um departamento de marketing e comercial mais atuantes, criando ações, projetos especiais, parcerias, espaços e formatos publicitários diferentes.

OK: Certa vez li que o Update não é uma empresa de tendências. Sim garimpeiros, achei isso ótimo! Vejo o UoD como um site sobre comportamento humano, estou certo?

G: Gostamos desta definição. Somos garimpeiros digitais. Achamos preciosidades e temos prazer em compartilhar com uma bela pitada de opiniões pessoais. As diferentes bagagens, tornam o conteúdo que produzimos tão rico. Somos um movimento que celebra a inovação através de troca de referências e insights entre membros de uma comunidade de early adopters, formada por profissionais das mais diversas áreas criativas e nossos leitores. Nossa vontade é inspirar e formar novos agentes da mudança em seus próprios universos pessoais e profissionais. Somos adeptos do ensino informal e do autodidatismo. E, a síntese de tudo o que fazemos é sim uma análise do comportamento humano pelo mundo. A maneira que encontramos para inspirar foi através do nosso prazer pelo garimpo, fazemos isso naturalmente (por paixão) em nossos posts diários. Gosto de acreditar que a motivação e a nossa missão é essa: descobrir, tentar entender, aprender, conhecer e respeitar comportamentos e exemplos diversos do ser humano.

OK: Quais matérias ou entrevistas que fez que marcaram pra você? Por que?

G: Alguns textos recentes com a nossa visão sobre formatos, sobre a publicidade digital, sobre inspiração (que vão bastante na contramão do que o mercado atual preconiza) me enchem de orgulho. Isso vem de muita conversa, muito estudo e muita observação. Construir algo em que acreditamos é especial. Gosto também quando acompanhamos projetos grandes, buscando referências e transformando em insights interessantes com um olhar muito particular. A exemplo do trabalho que fizemos este ano no SxSW, em Cannes, Campus Party, Comic Con, os festivais de músicas, dentro e fora do país, o Superbowl, que brincamos que é um festival de propaganda com um jogo de futebol americano nos intervalos. E gosto de mergulhar no UoD pelos achados que você nunca pensou em procurar e de repente estão ali fazendo parte da sua vida.

OK: Você esteve no South by Southwest, também conhecido como SXSW. Um festival divido em 3 áreas principais: cinema, interatividade e música. É uma ferramenta para pessoas criativas e para as empresas para as quais elas trabalham. O festival cria um ambiente onde essas pessoas podem desenvolver suas carreiras, juntar pessoas de diversas áreas, compartilhar ideias e começar parcerias. O que mais te fascinou nesse festival?

G: A quantidade de coisas especiais acontecendo, a estrutura e a atenção que a cidade ganha são as coisas mais fascinantes que já vi. Compartilhar e acompanhar o que acontece no SxSW torna-se uma tarefa praticamente impossível. Não dá. É necessário praticar e desenvolver um certo desapego. Não tem como, em poucas ou muitas linhas, fazer justiça ao tamanho e a quantidade de coisas simultâneas que acontecem. A luta é escolher bem a área de interesse e ficar de olho nas centenas de informações disponíveis. É uma semana mergulhado em tudo o que de novo acontece em comunicação e, de repente, mais uma semana com a cidade toda voltada para a cena musical e de filmes independentes (ou não). Você entende, na prática, como integrar o digital ao físico e como aproveitar a oportunidade de conversar com pessoas com objetivos tão parecidos ou tão diferentes que os seus, tudo em meio as ações de marcas que gritam em todos os cantos, músicas em cada esquina e muita gente interessante e interessada. Quando você acha que vai dar uma descansada, deixar a cabeça acalmar, tentando organizar o que aprendeu… tem mais alguma coisa imperdível daqui há dois minutos. É o maior caldeirão cultural do mundo. E isso não é pouca coisa.

OK: Sempre falo que a curadoria de conteúdo é fundamental no tempo em que vivemos e parece ser uma tendência. Você identifica quais foram os elementos que levam a esse tipo de consumo de informação?

G: O modelo de curadoria e remixagem de conteúdo é uma realidade há tempos. Não sei quando foi uma tendência, acho que virou necessidade. Acredito que toda essa mobilidade e facilidade de expor opiniões, deu muita “voz” e oportunidade a todos. O alcance do que fazemos transformou cada um de nós em veículo, mas nem todos conseguem fazer uma curadoria suficientemente interessante.

OK: Como é o processo de concretização de suas ideias?

G: Sempre acreditei que uma boa ideia precisa sair da gaveta, ganhar uma folha em branco e vida. Não adianta ter uma ideia maravilhosa e não saber os caminhos para executá-la, não entender seu contexto ou se é possível fazer acontecer. Nexo é tudo. Sempre tentar entender pra que? Como? Quando?  Enquanto planejam muito o mundo continua dando voltas. Velocidade é importante, criar movimentos é importante, envolver pessoas é importante. Por aqui é na tentativa e erro, tentativa e acertos. Se acreditamos em um ideia, se queremos investir paixão, tempo, dinheiro e neurônios, vamos até o fim. Tem dado certo.

OK: Pra você como a produção de conteúdo altera o relacionamento entre marca e consumidor?

G: Uma marca bem posicionada entrega a alma de sua criação e suas motivações para o seu público.

Acredito que a marca que trabalha na elaboração de histórias que acrescentem, de verdade, algo à visão de mundo das pessoas, acerta em cheio. Você tem uma ligação emocional com elas. A marca faz parte da sua vida, de maneira positiva. O ponto mais importante para a criação, e administração, de uma comunidade é o conteúdo. O conteúdo tem que ser o mais precioso. Acho que aproxima as duas pontas, sem muitos intermediários.

OK: Com o consumidor ávido de novidades, para onde você acha que essa relação caminha?

G: Acho que, cada vez mais, as marcas entenderão qual a linguagem certa para se relacionar com determinados nichos (as que se preocupam com isso). Ou seja, busca contínua por identificação: de linguagens, de interesses comuns e interdependência autêntica. Nossos desejos, ou ambições, como consumidores é possuir coisas que trarão algum benefício para nós. Somos nós quem sabemos quais as nossas motivações. As marcas que forem capazes de capturar nossas imaginações, ganham seguidores engajados.

OK: O que você tem escutado ultimamente?

G: Os discos mais recentes do Govt Mule, Queens Of The Stone Age, Seasick Steve e o do Black Sabbath.

OK: Quais projetos conheceu recentemente e achou interessante?

G: O projeto mais interessante que tenho para compartilhar é o Trip Transformadores. Além de ser um movimento vencedor, é responsável por apresentar, o tempo todo, dezenas de outros projetos muito interessantes que você tem vontade de se aprofundar. O Prêmio foi criado há sete anos, se transformou em uma plataforma que identifica e reconhece os brasileiros que, com o seu trabalho, ideias e iniciativas de grande impacto ou originalidade, ajudam a promover o avanço coletivo. O projeto consegue gerar conteúdo durante o ano todo, envolve marcas que se interessam realmente pela verdade dessas pessoas e seus projetos, promove debates inteligentes e mantém o seu conceito inicial, que é direcionar o holofote para pessoas que conseguem, com suas ações, fazer um mundo melhor e transformar muito a vida de poucas ou muitas pessoas.

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