Talk To Me… Tell me your story LIFE

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A revista Life, um ícone na história do fotojornalismo, colocou seu acervo de fotografias na internet, digitalizado e restaurado. O conjunto representa uma das maiores coleções de imagens jornalísticas do mundo, de 1750 até os dias atuais, da Guerra de Secessão a Barack Obama. São 10 milhões de fotos, publicadas em parceria com o Google Imagens.

A seleção conta com várias fotos que se tornaram ícones do século XX, de autoria de fotógrafos célebres como Alfred Eisenstaedt, Margaret Bourke-White, Robert Capa, Gordon Parks ou W. Eugene Smith.

A primeira versão da Life circulou entre 1883 e 1936. Era uma revista ilustrada, que cobria a cena literária e artística da época. Lançou vários ilustradores e escritores e, em 1920, contava com 250 mil leitores.

Com a falência da publicação original durante a Grande Depressão, o influente editor norte americano Henry Luce comprou em 23 de novembro 1936 e a relançou num novo formato: uma revista de fotos, na qual os textos se resumiam a legendas para as imagens. Foi um sucesso, e o modelo inspirou várias outras publicações. Logo no primeiro número, vendeu 225 mil exemplares através de assinatura e outros 200 mil em venda direta. Na época, Luce já tinha grande prestígio e sucesso como editor da Time, outra revista semanal de estilo opinativo. Enquanto a missão original da Time era de contar e relatar as notícias, a missão da Life era de mostrá-las, exibi-las. Nas palavras do próprio Luce, a revista foi concebida para possibilitar ao público norte-americano “ver a vida, ver o mundo, testemunhar os grandes eventos (…) ver coisas que ocorreram a milhares de quilômetros de distância (…) ver e sentir-se impressionado, ver e instruir-se”. A arte fotográfica da LIFE começava na capa, como ficou demonstrado logo no número de lançamento, onde apareceu uma foto da barragem de Fort Peck, em Montana, que ficou famosa na história do fotojornalismo. Esta aposta na imagem, algo inovadora para a época, permitiu que os leitores conhecessem outros locais e outros povos até então mais distantes. 

A inovação sempre foi uma das imagens de marca da LIFE e, em 1938, tornou-se uma das primeiras publicações a mostrar nas suas páginas fotos do nascimento de um bebê. Apesar de ter feito avisos prévios tanto a assinantes como às comunidades religiosas, a revista acabou por ser banida em cerca de cinquenta cidades norte-americanas e ainda no Canadá. Naquela era pré-televisão, a revista foto jornalística chegou a vender 13,5 milhões de cópias por semana. Em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, a LIFE lançou um programa inovador que consistiu na criação de uma equipe de 23 militares e 19 civis destinada a elaborar uma coleção de arte sobre o espírito da guerra, tanto na frente de batalha como nos Estados Unidos da América. Ao todo, foram criados mais de mil quadros, aquarelas e ilustrações, alguns dos quais selecionados para ficarem expostos no Pentágono, quartel-general do Departamento de Defesa norte-americano. Mas, nesse mesmo ano, a publicação de fotos com atrocidades infligidas pelos soldados norte-americanos a combatentes inimigos levantou uma onda de protestos junto de um público que não estava habituado a ver esse lado da guerra.

Em 1957 a revista fez uma reportagem fotográfica que mostra o Brasil e é profética quanto às qualidades e defeitos do país. As dores crescentes de um grande país: o ambicioso Brasil possui grandes riquezas, ótimas perspectivas – e grandes problemas”. A manchete poderia servir perfeitamente para abrir um texto sobre o nosso país atualmente. Mas foi, na verdade, publicada na abertura de uma reportagem fotográfica da lendária revista  Life em 1957. As imagens do fotógrafo Dimitri Kessel retratam muito bem a grandiloquência de cidades como São Paulo, já uma metrópole gigantesca há 57 anos, e a beleza sem igual da então capital, Rio de Janeiro, prestes a viver sua era de ouro com os anos da bossa nova. Exibem, ainda, detalhes da construção de Brasília e a vida de trabalhadores rurais, entre outros flagras daquele período da história do país. As legendas trazem informações e impressões dos repórteres.

Em 1963, foi publicada pela primeira vez uma edição extra da revista, por ocasião do assassinato do presidente John Fitzgerald Kennedy. A LIFE deixou de ter publicação semanal em 1973, altura em que passou a ser publicada apenas duas vezes por ano. Esta situação manteve-se até 1979, quando a periodicidade passou a ser mensal. Em 1982, Christie Brinkley foi capa da revista, posando numa roupa de banho vermelha e fotografada por Patrick Demarchelier, tornou-se a edição a mais vendida de todos os tempos. Life chegou a vender mais de oito milhões de exemplares por semana e morreu vítima do próprio gigantismo, com o aparecimento de um veículo de massas mais potente, a televisão, que apresentou aos anunciantes a possibilidade de falar com mais gente a um preço menor. Desde 2007, não circula mais. É considerada a primeira e internacionalmente mais conhecida revista de fotografia do mundo.

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